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Hannah Horvath, a jornada da escritora

Hannah Horvath: a jornada da escritora.

A season finale de Girls ainda não acabou, mas o final feliz de Hannah Horvath está garantido. Ela recebeu da editora, no primeiro episódio dessa temporada, o e-mail pelo qual esperou desde que a conhecemos: “Estamos felizes em publicar seu livro”. Foi por esse livro (e todos os outros que tentou lançar antes ou ainda vai escrever no futuro) que Hannah se mudou para Nova York. Depois do triste legado de Sex and the City, com quatro mulheres que viviam em função de correr atrás de homens e de sapatos, ainda tendemos a pensar que o mais importante, em qualquer série, são as relações das personagens com os namorados. Mas olhando direito, o grande amor de Hannah sempre foi sua escrita.

Um amor, assim, doloroso. Antes do e-mail que a levou a abrir um sorriso em close que preencheu toda a tela da minha TV, Hannah sentiu inveja de outras autoras. Falou de seu processo criativo com o psicanalista. Teve crises de ansiedade e TOC, porque não conseguia cumprir um deadline (e já havia gastado o adiantamento). Terminou um namoro, porque o cara achava seu livro sem graça. Abriu mão de um emprego bom (e com comida gratuita) na redação da GQ, por medo de não ter mais tempo de escrever. Ela teve um e-book cancelado, porque seu editor morreu de repente. Não conseguiu levar esse título para outra editora interessada, pois estava amarrada a um contrato. Matriculou-se numa pós graduação de escrita criativa. Desistiu do curso. Também desistiu de ser escritora algumas vezes. Voltou atrás, em todas elas.

Há uns anos, Hannah deu um original para seus pais lerem e alertou: “Acho que posso ser a voz da minha geração”. A coleção de rejeições no caminho para se tornar escritora não foi capaz de fazer com que ela abrisse mão do sonho, mas serviu para mudá-la e (já era tempo) readequar suas ambições. Agora, Hannah está contente apenas em ter sua própria voz (o que não é pouco). “Eu sou uma escritora e (…) tenho a obrigação de falar de coisas que são significativas para mim.”

As comparações entre Girls e Sex and the City foram muitas, desde o início. Duas séries que têm uma escritora como personagem principal vivendo, com suas três melhores amigas, em Nova York. Carrie Bradshaw era famosa, com anúncios de seus livros e colunas colados em ônibus e estampados em páginas de revistas, sem nunca ter passado por um bloqueio criativo (algo mais inverossímil do que a vida de luxo que ela sustentava com o salário de jornalista freelancer). Hannah é só uma promessa, a série vai terminar sem sabermos se ela vai vingar no mercado editorial (ou deixar sua marca na cidade, outra de suas metas). Mas já sabemos que ela é das boas. Seus pares sabem, seus professores sabem e, mesmo ficando meio confusa às vezes, ela sabe também. Aliás, é sua única certeza. Sobre como se vê daqui a cinco anos, Hannah responde: “Eu quero escrever. Escrever para que as pessoas se sintam menos solitárias do que eu me sentia. Para que as pessoas riam do que é doloroso na vida”. Hannah é a mais egoísta de uma série cheia de personagens extremamente autocentrados. Mas, quando se trata da escrita, ela parece ser, olha só, capaz de alguma generosidade. Acho que é o que um grande amor é capaz de fazer com alguém.



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