Eu conto histórias

Se pudesse fazer qualquer coisa, o que você faria agora?

As respostas que entram em minha urna são tão simples e parecidas, em cidades bem diferentes.

O que você faria agora?
Se pudesse fazer qualquer coisa, o que você faria agora?

Tão normal deixar os nossos desejos para depois, como se tivéssemos certeza de que vai dar tempo de fazer tudo. Embora o agora seja tudo o que temos, nós parecemos nem notar que ele existe, presos entre a nossa noção de ontem e de amanhã. Foi pensando no desejo adiado de cada dia, que eu resolvi parar e perguntar estranhos no meio da rua: “Se pudesse fazer qualquer coisa, o que você faria agora?”.

A urna ajuda a garantir o anonimato das respostas (e a impedir que as pessoas me achem louca)
A urna mantém o anonimato das respostas — e ajuda as pessoas a me darem mais atenção.
em Paraty, as respostas foram parecidas com as de Ouro Preto, Rio ou São Paulo.

Para as pessoas não se assustarem muito e dar um ar mais profissional à coisa, eu incluí, entre mim e as pessoas que ouvem minha pergunta, uma urna amarela. Peço para cada um escrever seu desejo e colocar na urna. No fim das contas, pareceu ser uma boa ideia, porque tem gente que prefere escrever e depositar o papelzinho, sem me contar nada. Eu só peço para colocarem o primeiro nome e a idade, mas o anonimato é garantido, para quem quiser.

A maior parte das respostas têm a ver com rever entes queridos, viajar e fazer sexo.
A maior parte das respostas têm a ver com rever entes queridos, viajar e fazer sexo.

Em Tel Aviv ou BethLehem, no Rio ou em São Paulo, em Paraty e Ouro Preto, as respostas que recebi, até agora, são surpreeendemente simples. Ninguém respondeu “quero ganhar na mega sena”. Em contrapartida, muita gente escreveu que quer ver alguém querido. 

As respostas são muito parecidas, em BeitLehem, na Cisjordânia, ou na cidade mais cospolita de israel, Tel Aviv
Ninguém nunca me respondeu que queria ganhar na loteria ou algo ligado diretamente a ter mais dinheiro.

Não tenho um objetivo real oficial com essa minha intervenção urbana, se não saciar um pouquinho minha curiosidade sobre o que passa na cabeça das pessoas e o que elas desejam. Quem sabe, até dar uma ajudinha para que elas prestem mais atenção ao agora. Esse instante que é todo nosso e que passa tão rápido.

"Fazer amor."
“Fazer amor.”
"Pegar um voo para a ìndia e visitar meu irmão."
“Pegar um voo para a ìndia e visitar meu irmão.”

O que descobri é que, basicamente, as pessoas querem estar com outras pessoas, visitando parentes, viajando, fazendo sexo. Sigo fazendo essa pergunta por aí. Cada vez mais fascinada pelas pessoas, o quanto elas e seus simples desejos são mais parecidos do que diferentes, independentemente do lugar em que se encontram comigo e minha urna amarela.

 

 

 

Estou convencida de que somos todos muito mais parecidos do que julgamos.
Estou convencida de que somos todos muito mais parecidos do que julgamos.


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