A gente esquece sem saber como

sabrina abreu a gente esquece (2)

A gente esquece, mas demora.

A gente esquece, mas não é agora. Porque ainda faltam duas juras de nunca mais e três ou quatro recaídas.

A gente tenta esquecer, fazendo aula de aquarela, de bateria, de krav magá. E no fim da aula, a gente lembra.

A gente esqueceria mais facilmente, se não existisse essa música maldita pra atrapalhar.

Antes de esquecer, às vezes, a gente chora e limpa a meleca na calça de pijama.

Quando a gente pensa que esqueceu, vê um filme triste e pensa que vai morrer.

Mas a gente não morre, não. A gente esquece.

A gente esquece quando se distrai, esperando no sinal vermelho, esquentando o almoço, escolhendo um shampoo novo.

Primeiro a gente esquece por horas, depois por dias.

A gente quer esquecer pra sempre, mas não vai ser hoje.

A gente esquece e não sabe como. Por isso é tão difícil sempre na próxima vez.


Lennon e Sartre: os homens que amavam as mulheres

Yoko Ono e Simone de Beauvoir são maravilhosas por elas mesmas, por suas próprias mentes e trajetórias. Mas não foi nada mal o fato de terem sido intelectualmente admiradas por seus famosos parceiros.  Ao valorizar o pensamento e a carreira de Yoko e Simone, Lennon e Sartre não amaram apenas suas mulheres, mas, nelas, todas as outras que acreditam numa parceria de coração e de cérebro. 

John Lennon nasceu numa família da classe trabalhadora de Liverpool, mas consguiu tornar seu sobrenome um dos mais famosos da Inglaterra e do mundo, em sua época e para sempre. Aos 29 anos, ele se casou formalmente com a artista plástica vanguardista Yoko Ono e adotou "Ono" ao fim da própria assinatura, a partir daquele dia. 


John Lennon já era John Lennon quando se apaixonou por Yoko. Um mito.  Yoko, claro, também  já era ela mesma e tinha 32 anos.  Ele logo percebeu que, apesar de menos famosa, ela não era menos que ele em qualquer outro quesito. Foi ao ler a palavra "sim", numa instalação de Yoko, dentro de uma galeria londrina, que o músico se interessou por ela como mulher pela primeira vez. A mulher e a artista foram indissociáveis, para ele, desde o princípio. Não havia nada a fazer, se não valorizar as obras e a trajetória que tinham feito com que ela se tornasse exatamente quem era, no momento daquele encontro que mudaria a vida dos dois. Os filmes experimentais que ela gravou, a banda experimental de que fez parte, o livro experimental que publicou (haja experimentação).


O público não reagiu bem ao relacionamento. Achavam Yoko pouco para o astro. Nos jornais,  diziam que era feia. Ele respondia que os dois eram um só ( igualmente bonitos ou feios, de acordo com quem olhasse, mas, para ele, essencialmente iguais).  Visivelmente,  se tornou mais parecido com ela, preocupado com a paz do mundo e as causas sociais. E indo mais fundo na experimentação, como aconteceu com a banda que dividiram, depois de ele deixar de fazer parte do grupo musical mais importante da história. A John Lennon/Plastic Ono Band sucedeu os Beatles e, nela como na vida, o sobrenome Lennon e Yoko estavam lado a lado, com o mesmo peso. 

*****

Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir eram parceiros de trabalho, de amor e --  talvez, mais importante que tudo --  de viagens. Eles correram o mundo, do Egito ao Brasil, com curiosidade genuína pela  sociedade de cada país visitado, fazendo conexões dentro e fora das universidades onde eram chamados a ensinar. Em suas memórias, Simone descreve esses passeios como viagens de exploração, algo exóticas, tanto divertidas quanto cansativas. Para descansar, o casal preferia o interior da Itália, para onde retornavam quase todos os anos. Num deles, a novidade foi o fato de ela ter, finalmente, aprendido a dirigir.


Mesmo admitindo ser uma péssima motorista, Simone quis se arriscar (e arriscar Sartre, sentando no banco do passageiro) pelas estradinhas, onde carros voavam e motoristas faziam questão de ultrapassá-la, especialmente ao perceber de que se tratava de uma mulher ao volante. Ela ficou preocupada com a situação, o risco de bater e, principalmente, com a opinião do companheiro. Mas, em vez de pedir a ela que diminuísse, Sartre incentivou Simone a voar pelas curvas, forçando os carros que tinham feito ultrapassagens a permitir que ela voltasse a estar na frente. "Se tivesse cedido a essas exortações, teríamos morrido cem vezes, mas eu preferia esse zelo a conselhos de prudência", ela escreveu sem esconder a felicidade, muito tempo depois, no livro  A Força das Coisas. 


Sartre, assim com John, mais famoso que sua mulher em seu tempo, nunca deu valor a esse detalhe e a viu como um par. Igualmente brilhante. E, naquela estradinha, onde ele dizia "vá, ultrapasse" -- palavras que ela reproduziu tanto tempo depois, certamente, por tê-las julgado importantes -- ele reconheceu Simone também como uma motorista em pé de igualdade com todos os motoristas homens do mundo. Pode parecer só um conselho irresponsável, dito numa estrada perigosa, mas é uma prova de amor. 

*****

 Como a vida não é um filme da Disney, os relacionamentos de John e Yoko ou de Sartre e Simone não foram perfeitos. John traiu Yoko com  sua assitente May Pang, e o casal ficou separado durante dois anos -- ele pediu para reatarem, mas ela demorou a aceitá-lo de volta. Sartre e Simone mantinham um relacionamento aberto e nunca moraram juntos, mas, em suas memórias, ela admite ter sentido ciúmes dele com outras mulheres, mesmo que ela também tenha tido relacionamentos paralelos, ao longo do tempo em que permaneceram juntos.

Já que a vida -- ainda bem -- não é nada parecida com um desenho animado, Yoko e Simone relembraram, cada uma, o homem de sua vida, de modo muito simples, apesar de eles terem sido dois dos nomes mais extraordinários de todos os tempos. Por causa de John, Yoko conheceu muita gente e muitos lugares. Mas, quando se lembra dele, ela escreve sobre os cafés da manhã que compartilharam e das caminhadas no Central Park, num dia bonito. Simone foi mais longe. Depois de perder Sartre, ela escreveu um livro sobre os dois, A Cerimônia do Adeus, no qual contou sobre o acirramento da fragilidade física dele -- cegueira, incontinência intestinal, o cansaço constante -- e, ao tocar nesse assunto, não lamenta nada além do fato de ele se sentir desconfortável em não poder mais, por exemplo, ir ao cinema. Para ela, a companhia de Sartre era agradável, e os problemas de saúde não interferiram nisso. Foi agradável até o fim.

Mais sobre estas histórias de amor, no filme e no vídeo abaixo;

"Lennon and Yoko on Love": 

A animação é feita em cima das respostas do casal, 

em entrevistas feitas por Howard Smith entre 1969 e 1972.

"A Cerimônia do Adeus": 

Um dos meus livros preferidos. Nele, Simone escreve as memórias da sua vida 

com Sartre, do início até a morte dele. O apêndice traz a a entrevista em que ele

responde as mais diversas perguntas dela, e é uma oportunidade a mais de espiar

a intimidade de dois gênios. (Para ler com a caixa de lenços do lado.) 


Frases que escuto quando digo que sou crente

Há Uma letra (do musical "Avenida Q.", politicamente incorreto e Muito bem-humorado), Diz que "Todo Mundo e Meio racista". NÃO Acho Que Todos Sejam racistas. Mas hum SEJA mini-preconceito Que, TEMOS Semper. Nos Lugares Que frequento - ainda bem "- o Pessoal torce o nariz Paragrafo piadas que denigram índios, gays UO Mulheres Só ESTÁ liberado malhar OS evangélicos -.. TALVEZ muçulmanos também Ê ê Até engraçado o susto que quando levam descobrem Que Tem Uma crente, . à paisana, Por Perto Algumas frases que, quando ouço digo que sou crente:

--Eu Sou crente

- Mas Você está em usando batom Vermelho.

- Eu sou crente.

- E a Primeira crente Que conheço. (Prazer!)

- Eu sou crente.

- Crente, crente? Dessas que leem a Bíblia e Vao à Igreja? (Dessas, MESMO).

- Eu sou crente.

- De: Não da Igreja do Edir Macedo, né? (Não).

--Eu Sou crente.

- Ora por Mim?

--Eu Sou crente.

- Parece de: Não, Rápido rápido Você é Tão normal. (?)

- Eu sou crente.

- Parece de: Não, eu sempre gostei das SUAS Roupas. (??)

- Eu sou crente.

- Parece de: Não, Rápido rápido Você é legal. (???)

- Eu sou crente.

- Nunca pensei Que Iria Encontrar hum evangélico aqui. ( "Aqui" PODE Ser hum museu OU UM Estadio de futebol, Qualquer Lugar Que NÃO SEJA UMA Igreja.)

--Eu Sou crente.

- De: Não Sabia Que os crentes podiam Ir ao forró. (Essa era da Época da faculdade.)

- Eu sou crente.

- Me Leva na SUA Igreja Um Dia?

- Eu sou crente.

- Pastor Seu pai e? (Não, Não e.)

- Eu sou crente.

- Puxa, Você Não PODE ir à praia, né? (AHM?)

- Eu sou crente.

- Mas SUAS Pernas estao depiladas. (Olha, Não, de Modo Pernas.)

- Eu sou crente.

- Sério? Uma moça Tão inteligente ... (La sei Obrigada, OU.)

- Eu sou crente.

-- Porque? (Porque, Quando Eu Tinha 8 anos, fiz amizade com Uma menina presbiteriana. Na Época, ninguem da minha familia ia hum Igrejas evangélicas, mas eu atormentei Minha Mãe Paragrafo me Levar.)

- Eu sou crente.

- É Você vai deixar Uma decisão que, quando Tomou era Criança moldar Toda a SUA vida? (Essa e Fazer meu analista ... Bom, Uma foi decisão de quando eu era Criança, DEPOIS adolescente e, DEPOIS, adulta.)


Representatividade não é brincadeira: bonecos com características diversas, porque as crianças não são todas iguais

Preta Pretinha é uma marca de bonecos criada por três irmãs, que, quando criança, tinham dificuldade em encontrar bonecas com as quais se identificassem; de pele escura e cabelo cacheado. Na vitrine, bonecas negras estão ao lado de loiras, ruivas, orientais, entre outras fofuras diversas quanto à religião (olha o judeu ortodoxo e a muçulmana!) ou características físicas, como a deficiência visual ou orelhinhas de abano.

Numa casa amarela na Vila Madalena, está a vitrine cheia de bonecos diferentes. Sempre que passava por lá, eu gastava um tempo tentando identificar novos modelos: um com cadeira de rodas, outro com o cão guia, muleta, andador. A boneca que usa óculos de grau, o boneco descalço e sujo, lembrando um menino que vive na rua. Eles geram uma empatia imediata. Imagina uma boneca usando muletas?

Bonecos com características de crianças reais, diferentes etnias e até com deficiências físicas
A turminha toda junta. Em cima: a boneca Preta Pretinha, primeira criação, a menininha acima do peso (única sem sapatos, os pés dela são gorduchos, muito fofos), o oriental; o que tem orelhas de abano. Abaixo, a deficiente visual com seu cão guia (e coleira rosa!), o cadeirante, um loirinho no andador e a menininha que não tem uma perna.

Dentro da casa, conheci as irmãs Joyce, Lucia e Cristina (as duas últimas não gostam muito de posar para fotos). Elas ouviam, desde cedo, a avó materna, Maria Francisca, dizer para nunca deixarem que o tom da pele virasse um empecilho. Também receberam incentivo para gostarem de si, do seu cabelo, da sua pele. Deu certo, gostaram tanto, que quiseram ter bonecas parecidas consigo.

Com Joyce: representatividade conta.
Com Joyce: "Eu me questionava por que todas as bonecas tinham que ser loiras e nenhuma se parecia comigo".

Como era difícil encontrar esse tipo de boneca, coube à avó confeccionar algumas, usando meia de seda para alcançar o tom bem aproximado ao da pele delas.  "No dia de levar brinquedo para a escola, levei a minha boneca, toda orgulhosa", lembra Joyce, uma das três sócias da marca Preta Pretinha, ao lado de Lucia e Cristina. Entre os coleguinhas, houve de tudo. "Uns achavam bonita, outros achavam muito diferente, mas também teve quem dissesse que era feia", lembra. Segura, Joyce rebatia às críticas, dizendo que a boneca dela era especial, não havia outra igual no mundo -- o que, no fim das contas, era verdade.

Há 16 anos, Joyce e as irmãs decidiram fazer por mais crianças o que a avó fez por elas: criaram bonecos com características reais. A diversidade está além da cor da pele, chega às características físicas e culturais.

um boneco é judeu ortodoxo e a boneca é uma muçulmana
Faleci de amores pelo mini judeu ortodoxo e a mulçumana pequeña.

O negócio que começou há 16 anos, num espaço de 15 metros quadrados, hoje ocupa um lugar quase dez vezes maior. As criações de Joyce e suas irmãs já apareceram em comerciais de marcas como Itaú e Óleos Lisa, e os bonecos fazem sucesso, especialmente, entre professores, pediatras, fonoaudiólogos juízes e outros profissionais voltados de alguma forma para o universo infantil. "Mas também acontece, e cada vez mais, de pais comprarem várias bonecas com características diferentes, para ensinarem sobre a diversidade para seus filhos". A avó Maria Francista ficaria orgulhosa.

 

Preta Pretinha -- Rua Aspicuelta, 474 - Vila Madalena (11) 3812-6066



sabrina

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